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Mulheres Famosas
  Na base do contrato - Uma simpática preta-velha conseguira acomodar-se com sua mesinha de bolos e doces, na calçada do antigo Banco Frota Gentil. Certo dia, um seu freguês costumeiro, em aperturas financeiras, pediu-lhe cinco mil réis emprestados. A preta-velha, para se sair daquela imprensada alegou a impossibilidade do atendimento dizendo-se presa a um contrato com o dono do Banco, cel. José Gentil. Insistente e curioso, o freguês, com azedume, quis saber que contrato era aquele, sendo atendido com a seguinte explicação: " É um contrato que tenho com o cel Gentil: eu não empresto dinheiro e ele não vende bolo".
  A epopéia de Maria Tomázia - Maria Tomázia Barbosa, a mulher de Pero Coelho de Sousa, escreveu com ele, que comandou o primeiro esforço colonizador do Ceará, página de indiscutível heroicidade. Era irmã de Frutuoso Barbosa, o donatário da capitania da paraíba. De família importante para época. Acompanhou o marido na sua segunda viagem feita ao Ceará. Todo o itinerário épico foi realizado por ambos, sendo que o casal havia trazido os cinco filhos, um, o mais velho, de 18 anos que viria a morrer na viagem de regresso, bem como dois outros, de colo, também mortos de fome e sede. A morte desses dois últimos provocou intensa depressão em Pero Coelho. O suficiente para que a mulher Maria Tomázia, tomada de coragem e heroísmo, passasse a comandar os destroços que rumavam, em terra seca e desnuda, para Natal, no Rio Grande do Norte. Esta fase está descrita, no segmento sobre a viagem de Pero Coelho. Hoje, Maria Tomázia é nome de rua em Fortaleza, bem longe da outra, também na capital, mas na Aldeota, que foi dada a seu marido. Melhor fora que as duas vias fossem paralelas, pois se estaria a representar melhor a vida dos dois homenageados. Figuras centrais dessa automática epopéia de nossa História.
O filho que não voltou - Foi organizado no Crato um dos maiores Contingentes do grupo "Voluntários da Pátria", jovens que espontaneamente se ofereciam para combater na guerra do Paraguai. No dia 2 de Maio de 1865, dona Carolina Clarense de Araripe Sucupira praticou um dos gestos considerados mais corajosos da história local: inscreveu o próprio filho, Carolino Bolívar Sucupira, entre os voluntários para o campo de batalha. Esse protótipo de herói se juntaria aos demais jovens, num batalhão formado de 200 combatentes. Carolino não voltou da Guerra.
  Jovita Feitosa - Aberto o voluntariado para a guerra do Paraguai em 1865, uma jovem cearense de apenas 17 anos chamada Jovita Feitosa nascida nos Inhamuns, utilizando vestes masculinos e cabelos a la homem, se apresentou no Piauí , precisamente em sua Capital Teresina. Descoberta sua identidade, mesmo assim seguiu no batalhão "Voluntários da Pátria" pra o Rio de Janeiro, onde receberiam o treinamento para os combates. Jovita treinava com fardamento especial - saiote e túnica mais apropriada aos contornos femininos. Contudo, na corte não lhe permitiram ir a guerra. Jovita foi vetada sob argumentos militaristas. Ela não voltou ao Ceará. Permaneceu na capital carioca após meses gloriosos, de homenagens e aplausos que se acostumou. Mas Jovita Feitosa foi definhando, absolutamente infelicitada pelo veto. Segundo uns, suicidou-se com uma punhalada no peito.
  Beata de Juazeiro - Nascida a filha no final da tarde de 24 de Maio de 1862, os pais, Antônio da Silva Araújo e Ana Josefa do Sacramento, puseram-lhe o nome de Maria madalena do Espírito Santo de Araújo. Onomasticamente impregnada de religiosidade. Embora passando a ser chamada Maria de Araújo, a artesã juazeirense não se libertaria do seu legado espiritual. Dominda pela fé febril, tornara-se beata com todas as letras. Tinha transes tão agudos ao ponto de minar sangue de sua língua, tornando avermelhada cada hóstia que o Padre Cícero Romão Batista lhe punha na boca. Pela força excepcionalíssima de sua contrição, Maria de Araújo se converteu na figura central do legendário "milagre de juazeiro" - fato ocorrido pela primeira vez na manhã de 06 de março de 1889.
  D. Guidinha do Poço - Nos últimos anos do século passado, perambulava pelas ruas de Fortaleza uma esfarrapada mendiga, alvo das indigitações da molecada, que a molestava gritando: olha a mulher que matou o marido. A Andrajosa mulher, a "Velha Lessa" realmente havia sido condenada a 30 anos de cadeia pela justiça de Quixeramobim, como mandante daquele delito. Seu nome - Maria Francisca de Paula Lessa. Fora rica fazendeira, esposa do Coronel Domingos Victor de Abreu e Vasconcelos. O Coronel foi assassinado no próprio lar, pelo escravo Curumbé, a mando de Maria Francisca, conhecida na extremidade como d. Maria, então de amores com um sobrinho do esposo, vindo de Pernambuco, Senhorinho Pereira da Costa. Preso, Carumbé revelou o nome da mandante. Foram ambos, a fazendeira e o escravo condenados a 30 anos, sendo que o segundo fora degredado para Fernando de Noronha. Senhorinho conseguiu escapar do julgamento, embrenhando-se nos vastos sertões do Ceará e Pernambuco. Toda essa tragédia, anos depois, seria romanceada num livro que viria ficar famoso - "Dona Guidínha do Poço" , do escritor Manoel de Oliveira Paiva, publicado em 1861. Na 2ª edição, em 1899, jámuitos anos depois, o grandepesquisador de nossa história - Ismael Pordeus provou, quecom farta documentação que o romance "Dona Guidinha do Poço" retratara atragédia do Quixeramobim.
  Dedicação de mulher - A "Cearense libertadora" - entidade fundada para capitanear o movimento abolicionista do Ceará - estava, em determinado dia reunida, para angariar cinco mil contos faltantes para efetuar o pagamento das cartas de alforria de uns escravos. Um governísta, presente a sessão, ofereceu-se para pagar aquela importância. Houve protestos no auditório, naturalmente radical. Seria ultrajante receber dinheiro de gente do governo... Eis que então dona Carolina Carlota, esposa de João Cordeiro, levantando-se se tira os brincos de brilhantes, anéis e um colar, dirige-se para a mesa diretiva do trabalho dizendo: - Eis a minha contribuição.
  Infiel, a mulher do conselheiro - A esposa de Antônio Conselheiro, bem que pode ser apontada como a causa do que, mais tarde, veio a ser a barbárie de Canudos. Segundo João Brígido, Antônio Conselheiro, então conhecido pelo nome de Bila (Antônio Vicente era seu nome verdadeiro) com a morte do pai sai de Quxeramobim para Ipu, onde torna-se escrivão do juiz de paz e casa-se com uma parenta. Esta lhe foi infiel, com um soldado do destacamento policial da Vila, o que o forçou a, envergonhado, embrenhar-se nos sertões longínquos da Bahia e tornar-se o temível e santo Antônio Conselheiro, de tão trágico e heróico fim.