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  Mulheres e municípios - Não foram poucas as mulheres que, a seu tempo, e rompendo as amarras do patriarcalismo, se projetaram no meio em que viviam e exerceram uma liderança firme e construtiva. Vários dos atuais municípios cearenses se não foram criados por essas mulheres admiráveis, pelo menos foram alvos da influência e capacidade de liderança de várias delas... Vejamos quais e quem:
  Barro - D. Ana de Sousa. Era mulher de Januário José de Souza, mandou levantar uma capela em nome de Santo Antônio, idos de 1880. Em torno da qual, foram se agrupando novos moradores. Assim nasceu Barro.
  Bela Cruz - A mulata Genovêva. No sec. Passado, o distrito de Acarau, que viria depois a se chamar Alto da Genovêva. Quando os missionários por lá passaram, talvez por escrúpulos religiosos, mudaram-lhe a denominação para a atual bela cruz. Genovêva, a mulata que citamos acima, famosa, como a pintam os historiadores, foi, pois, a mulher que deu origem ao atual município de Bela Cruz.
  Brejo Santo - Dona Barbosa. Esta senhora, cujo primeiro nome a história não deixou registrado, era dona de uma terra rica e molhada e em torno da qual se formou o hoje próspero município caririense.
  Crateús - D. Jerônima Gardim Froes. O primeiro proprietário daquelas terras era o bandeirante Domingo Jorge Velho, cuja viúva, algum tempo depois, em nome do marido morto, veio a reclamar a posse da propriedade. Vendeu depois e outras mulheres a sucederam na história crateuense. Como D. Ávila pereira, que arrematou a terra por 4.000 cruzados. Tempos depois, outra mulher se torna proprietária - a baiana Luiza Pereira da Rocha.
  Ipu - D. Joana Paula Vieira Mimosa. Enérgica e habilidosa mulher, que catequizou a indiada. Suas iniciativas progressivas atraíram outros proprietários e trabalhadores do campo, o bastante para tornar-se povoado, vila e afinal, o Ipu de nossos dias.
  Mombaça - Maria Pereira. Primeiro, uma grande fazenda - a "Boca da Bicada", cuja proprietária, Dona Maria Pereira da Silva, que se tornou famosa pela hospitalidade com que arranjava os que lá paravam, atraiu com isso novos habitantes para a região. O local ganha seu nome e permaneceu muitos anos, mesmo quando se tornou município, até que decidiram mudar a toponímia pra Mombaça, denominação atual.
  Jaguaruana - Dona Felíciana. Em 1761, D. Felíciana Soares Costa, viúva de Simão de Góis fez doação de terras para construir o patrimônio da capela que ali se construía sob a invocação de Nossa Senhora de Santana. Era o início no atual município de Jaguaruana.
  Bela Cruz bela mulata - Bela Cruz tem uma toponímia interessante. Chama-se primeiro Santa Cruz do Acaraú, por pertencer, como distrito ao município de Acaraú. Depois adotou o nome de Alto da Genovêva, numa homenagem a uma mulata famosa que por ali residiu. Quando por lá passou um religioso em missões, trocou o nome para Bela Cruz, que permaneceu até hoje.
  D. Edith Braga - Mulher de fibra. Uma vida inteira dedicada a educação , eis o que se dizer da professora Edith Braga, introdutora, ao lado de Lourenço Filho dos ensinamentos da Escola Nova, no Ceará. O grande momento vivido por Edith Braga, foi quando disputou, em concurso público a Cadeira de Pedagogia, tendo como concorrente o então diretor da Instrução Pública, professor Joaquim Pereira de Sousa, nome tão respeitado quanto o dela, especialmente no que diz respeito as questões educacionais, então a viverem tal de renovação e modernidade. Foi "o maior concurso realizado no Ceará" , afirmava, unânime a imprensa local. Na 1ª etapa do concurso o escore foi este: Edith, 11,75 e Moreira de Sousa, 11,50 pontos. A prova prática ainda realizando-se na sala da Escola Normal. Saiu empate. Já a prova oral, exigiu auditório amplo, pois o concurso passou a arrastar multidões. O Teatro José de Alencar foi o palco escolhido. Moreira de Sousa ganha esta etapa, com 11,75 e Edith Braga, teve 11,50. Ou seja, o concurso terminou empatado. Foi dividido pelo Supremo tribunal Federal. Uma mulher extraordinária sem dúvidas.