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  NA VIDA DE CADA UM
  Dias da Rocha - Francisco Dias da Rocha foi o maior de nossos naturalistas, respeitado internacionalmente. Sua vida tem algumas características interessantes. Em 1916, quando a fundação da Faculdade de Farmácia e Odontologia do Ceará, ele foi, a um só tempo, aluno e professor de farmácia, colando grau quando da formatura da 1ª turma da recém fundada instituição. Foi professor fundador também da Escola de Agronomia. Outro momento de sua biografia está relatado por um seu biógrafo, Hitoshi Nomura, quando revela: - "Dias da Rocha era um pouco incorreto no escrever o vernáculo." Acrescenta que ele em virtude de tal deficiência, escrevia suas anotações em inglês, que aprendera na qualidade de corresp0ondente comercial que era. Granjeou fama de botânico e Naturalista, sem todavia haver passado de Baturité, em seus contatos mais próximos com a natureza. Infelicíssimo no primeiro casamento, casou-se em segundas núpcias com dona Gualterina Alencar Dias da Rocha, numa união que durou 42 anos. Foi ele o primeiro a constatar a presença de rádio no Ceará.
  Sósias - João Nogueira, que nos deixou preciosas crônicas sobre a Fortaleza de outrora, era extremamente parecido com o caudilho gaúcho Borges de Medeiros. Eram sósias em verdade. Henrique Gonzales, na Revista do Instituto do Ceará, em Evocações aos Mortos, ao escrever sobre essa forte semelhança, assim se expressou: - Tinham a mesma aparência no trajar, no biótipo, na bengala que os acompanhava, nos gestos, na magreza, na altura... A única semelhança era o gênio. João Nogueira foi sempre alegre, e Borges de Medeiros, circunspecto.
  Patrono da infantaria - O general Antônio Sampaio iniciou a carreira das armas como simples soldado. Alferes depois, a seguir tenente, capitão. Daí em diante, por merecimento toda a hierarquia até atingir o posto de Brigadeiro, já então, como um dos comandantes na guerra do Paraguai. Foram 35 anos de farda, até morrer, heroicamente. Quem liderou, no exército, o movimento no sentido de que Sampaio fosse considerado o patrono da infantaria do exército brasileiro foi Humberto de Alencar Castelo Branco, quando 1° tenente. Na escola Militar de Realengo, Sampaio já era o Patrono do Batalhão de Infantaria dos Cadetes, o suficiente , para aquele seu conterrâneo, que chegou a Marechal e Presidente da República, o elevasse essa condição de Patrono de todos os infantes de nosso Exército.
  Francisco Sá - Francisco Sá é hoje nome de uma grande avenida de Fortaleza e de um município da zona norte. Ele mereceu tais homenagens. Apesar de não ser filho do Ceará - Nasceu em Minas Gerais - muito fez pelo nordeste como um todo, e especificamente, pelo nosso estado, além de Ter uma vida pública invejável. Francisco Sá(1862-1936) é nome ilustre da engenharia brasileira, foi ministro da aviação, duas vezes, uma no governo Nilo Peçanha e a outra com Artur Bernardes. Na primeira oportunidade ministerial , trouxe para o Ceará o recém criado IFOCS - que depois se transformaria no DNOCS , e na Segunda , a RVC. Antes Francisco Sá , quando recém formado na Escola de Engenharia de Ouro Preto, Veio servir no Ceará, na Estrada de Ferro de Baturité, oportunidade em que conheceu a jovem Olga Acioly, uma das filhas representantes do Ceará na Câmara Federal do Comendador, oligarca e presidente da província do Ceará, Antônio Pinto Nogueira Acioly. Como deputado federal pelo Ceará revelou-se bom deputado, o que lhe valeu ser, posteriormente, ministro de Estado em duas oportunidades. Ao voltar para o sul - o sogro foi deposto, conforme é sabido Francisco Sá continua projetando-se no serviço público do Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a ponto de se tornar, em ambas as capitais, nome de rua.
  João Cordeiro - Dentre os cearenses notáveis do passado, poucos vieram intensamente quanto João Cordeiro. Após infância e adolescência empobrecidas, venceu na vida e já em 1877 foi eleito presidente da Associação Comercial do Ceará. Em função que foi convocado pelo presidente da província o conselheiro Estelita, para comissariar a luta contra a Cólera que então, virulentamente, se alastrava no Ceará, em plena seca de 1877/88/89. A partir de 1880, liderou o movimento abolicionista. Depois foi industrial em Baturité. Onde envolveu-se ativamente na luta pela instauração da República. Proclamada esta, recebe telegrama do Rio de Janeiro nomeando-o presidente da Província. Não aceitou porém honrosa incumbência, em respeito e fidelidade ao cel. Ferraz, que havia aclamado para as funções e as assumido. Limitou-se aceita ser vice de Ferraz , assumindo o governo por duas vezes. A seguir, vai residir no Rio de Janeiro voltando a atividade industrial. É eleito senador pelo Ceará. Foi ajudante de ordens do marechal Floriano Peixoto. Esteve preso em Fernando de Noronha, sendo solto 45 dias depois, graças a habeas-corpos requerido por Rui Barbosa. Ao regressar ao Rio, volta aos negócios de sua fábrica, mas, falindo, entregou aos credores tudo o que possuía. Após Senador, se elege deputado federal, quando vai nomeado, por Nilo Peçanha seu amigo, Governador do Acre. Aos 87 anos, quase cego, voltou a ser caixeiro da Casa Boris...