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Bode Ioiô - Popularíssimo
por volta de 1920, o bode Ioiô era um mestiço que carregava
forte predominância da raça parda alpina, introduzida no
Ceará pelos colonizadores. Em 1915 foi vendido por um retirante
sertanejo para a Rossbach Brazil Company, empresa inglesa instalada na
Praia de Iracema.
Diariamente se dirigia à Praça do Ferreira, na época
centro cultural da cidade, onde funcionava os principais cafés
como o Java, onde nasceu, em 1892, o movimento literário mais importante
de nossa terra, a Padaria Espiritual. Dizem que o primeiro contato de
Ioiô com os artistas que frequentavam o local pode ter sido feito
com Raimundo Cela que de cara simpatizou com o animal. O certo é
que, nessas andanças, tornou-se conhecido e querido por todos.
Amigo dos boêmios e escritores de Fortaleza, muitas histórias
são contadas sobre o bode que bebia cachaça e tinha preferência
pelas moças. Informações sobre ele constam em livros
de memorialistas cearenses do porte de Otacílio de Azevedo, Raimundo
Girão e Raimundo Menezes. Daí ter sido embalsamado e doado
ao Museu Histórico e Antropológico do Ceará em 1931.
Sua história serviu de argumento para o filme "Um bode chamado
Ioiô", de Luiz Edgard Cartaxo Arruda, que nunca chegou a ser
rodado. No filme, Ioiô ajuda a derrubar a oligarquia da família
Aciolly.
Ioiô participou de atos políticos em coretos, praças
e saraus literários, comeu a fita inaugural do Cine Moderno, assistiu
peça no Theatro José de Alencar, passeou de bonde, perambulou
pelas igrejas e até pela Câmara Municipal.
Segundo Raimundo Girão, autor do livro "Geografia da Estética
Cearense", o bode Ioiô era um cidadão como outro qualquer.
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