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Brasão
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Hino
Música: Alberto Nepomuceno
Letra:Thomás Lopes
Terra do sol, do amor, terra da luz!
Soa o clarim que tua glória conta!
Terra, o teu nome a fama aos céus remonta em clarão que seduz!
- Nome que brilha - esplêndido luzeiro nos fulvos braços de
ouro do cruzeiro!
Mudem-se em flor as pedras dos caminhos! Chuvas de
prata rolem das estrelas... E despertando, deslumbrada, ao
vê-las
Ressoa a voz dos ninhos...
Há de florar nas rosas e nos cravos
Rubros o sangue ardente dos escravos. |
Seja teu verbo a voz do coração,
verbo de paz e amor do Sul ao Norte! Ruja teu peito em luta
contra a morte,
Acordando a amplidão.
Peito que deu alívio a quem sofria
e foi o sol iluminando o dia!
Tua jangada afoita enfune o pano!
Vento feliz conduza a vela ousada!
Que importa que no seu barco seja um nada na vastidão do oceano,
Se à proa vão heróis e marinheiros
E vão no peito corações guerreiros?
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Sim, nós te amamos, em aventuras e mágoas!
Porque esse chão que embebe a água dos rios
Há de florar em meses, nos estios e bosques, pelas águas!
selvas e rios, serras e florestas Brotem no solo em rumorosas
festas!
Abra-se ao vento o teu pendão natal sobre as
revoltas águas dos teus mares! E desfraldado diga aos céus
e aos mares a vitória imortal! Que foi de sangue, em guerras
leais e francas, e foi na paz da cor das hóstias brancas! |
História
Segundo historiadores,
as expedições dos espanhóis Vicente Pinzon e de Diogo Lepe desembarcaram
nas costas cearenses antes da viagem de Cabral ao Brasil. A primeira,
num cabo identificado como o da Ponta Grossa, no Município de Icapuí,
e a segunda, na Barra do Ceará, em Fortaleza. Tais descobrimentos
não puderam ser oficializados devido ao Tratado de Tordesilhas.
A ocupação efetiva do território cearense
começou em 1603 com a bandeira de Pero Coelho de Souza que fundou
o Forte de São Tiago, na Barra do Ceará. A posse oficial do Ceará
deu-se com Martins Soares Moreno, (o Guerreiro Branco), que aqui chegou
em 20 de janeiro de 1612 e fundou o forte de São Sebastião, no antigo
local onde fora erguido o Forte de São Tiago.
Em 1637 chegam os holandeses que domina
durante sete anos. Em 1644 foram expulsos pelos índios com a destruição
do Forte de São Sebastião. Após cinco anos de sua retirada os holandeses
voltaram ao Ceará comandados por Matias Beck, na ocasião em que ergueram
o Forte Shoonemborch, às margens do Rio Pajeú, de onde se originou
a cidade de Fortaleza. A explusão definitiva dos holandeses ocorreu
em 1654 pelo comandante português Álvaro de Azevedo Barreto, que muda
o nome do Forte para Nossa Senhora da Assunção.
A criação do município de Fortaleza se deu
a 13 de abril de 1726, quando a povoação do Forte foi levada à condição
de vila. Somente em 1823 o Imperador Dom Pedro I elevou a vila à categoria
de cidade. Durante o Segundo Império, o Intendente Antônio Rodrigues
Ferreira e o Arquiteto Adolfo Hebster realizaram obras urbanísticas
transformando Fortaleza em uma das principais cidades do país. Atualmente,
o Estado do Ceará é composto por 184 municípios com autonomia político-administrativa.
A história de Fortaleza se confunde largamente
com a história do Ceará, terra de índios dos troncos tupi (tabajaras,
parangabas, parnamirins, paupinas, caucaias, potiguaras, paiacus,
tapebas) e jê (tremembés, guanacés, jaguaruanas, canindés, genipapos,
baturités, icós, chocós, quiripaus, cariris, jucás, quixelôs, inhamuns),
os quais, embora dizimados em grande parte, fazem sua cultura estar
presente até a atualidade, em hábitos, comida, medicina e arte populares,
nomes, vocabulário e etnia.
Foi em 1884 que se fez a abolição da escravatura
no Ceará, quatro anos antes do dia 13 de maio da abolição brasileira.
Este fato lhe valeu o nome dado por José do Patrocínio de Terra da
Luz, e fez aumentar os ânimos de todos os abolicionistas do Brasil.
Até Victor Hugo mandou da França suas saudações aos cearenses.
Provavelmente, foi Américo Vespúcio o primeiro
europeu a passar ao longo da costa cearense, em meados de 1499, quando
percorria todo o litoral norte do Brasil, a partir do cabo Santo agostinho
no Rio Grande do Norte. Dois meses antes de Pedro Álvares Cabral partir
de Lisboa, o navegador espanhol Vicente Yañez Pinzón, num roteiro
semelhante a Américo Vespúcio, desembarcou no litoral cearense, no
cabo do Mucuripe em Fortaleza, conforme alguns, ou no cabo de Ponta
Grossa em Aracati, conforme outros.
Na primeira década, após o descobrimento
do Brasil, o Ceará estava exposto à sorte de piratas franceses, e
continuando sob domínio dos nativos, tupis à beira-mar e jés ( ou
tapuias) no interior. Em 1534, a coroa portuguesa, no intuito de marcar
o domínio das terras descobertas, implantou o sistema de capitanias
no Brasil, e em 1535 concedeu a Antônio Cardoso de Barros a Capitania
do Siará, que nunca se importou em tomar posse desse feudo. No entanto,
desempenhou na Bahia o cargo de provedor-mor e, em 1556, ao retornar
para Portugal, teve a mal sorte do navio naufragar nas costas de Alagoas
e ser devorado pelos índios, junto com o bispo D. Pero Fernandes Sardinha.
O Ceará voltou a entrar na história em 1603,
em pleno domínio espanhol de Felipe III, quando Pero Coelho de Sousa
obteve do governador geral Diogo Botelho a permissão de colonizar
o Siará Grande, partindo do Rio Grande do Norte. Chamou a colônia
de Nova Lusitânia e o arraial projetado na foz do rio Ceará de Nova
Lisboa, a atual região da Barra do Ceará. Aventurou-se com seus soldados
e ajuda de índios tabajaras e potiguaras sertão adentro e enfrentou
os franceses liderados por Adolphe Membille que, a partir do Maranhão
invadiram o sul. Deteve-os às margens do rio Parnaíba. Por falta de
recursos e a primeiraforte seca, de que se tem notícia nesta região,
retirou-se em 1607 para a Parraíba.
No mesmo ano, os padres Francisco Pinto
e Luís Filgueiras iniciaram seus trabalhos de catequese dos índios
na região, com relativo sucesso. Na trilha de Pero Coelho de Sousa
atravessaram o território de leste a oeste, até chegarem à serra da
Ibiapaba, onde fundaram um povoado, logo atacado por índios tocarijus,
morrendo Francisco Pinto a tacape. Luís Filgueiras, junto com um punhado
de índios fiéis, retirou-se para as proximidades da foz do rio Ceará,
fundando outro povoado, o de São Lourenço. Temendo a agressão de índios,
no entanto, em agosto de 1608 se retira, para retornar a Pernambuco,
e mais tarde, após naufrágio na ilha de Marajó, foi outro devorado
a ser devorado pelos nativos.
É Martins Soares Moreno que pode ser considerado
o verdadeiro fundador do Ceará. Jovem soldado sob ordens de Pero Coelho
de Sousa, destacou-se pela amizade que matinha com os índios, imitando
seus costumes. Chegou de volta ao Ceará no início de 1612, em companhia
do padre Baltazar João Correia e seis soldados construiu um pequeno
forte, chamado de São Sebastião, novamente, na foz do rio Ceará. Após
combates com os franceses no Maranhão e tentativas rechaçadas de invasão
dos holandeses, foi a Portugal e obteve em 1619 a carta régia como
senhor da Capitania do Siará, aonde voltou em 1621, para fixar-se
por vários anos, consolidando e fazendo florescer sua capitania. Os
amores de Martins Soares Moreno por uma índia, serviram de tema para
o romance Iracema, de José de Alencar, escritor cearense.
Os holandeses de pernambuco, que já tinham
colocado sob seu domínio as regiões até o Rio Grande do Norte, em
1637 desembarcaram no Mucuripe (atual região do porto de Fortaleza),
sediando e tomando o forte na foz do rio Ceará, do qual foram expulsos
pelos próprios índios em 1644. Voltaram em 1649 sob ordens de Matias
Beck. Construíram na enseada do Mucuripe, junto ao rio Pajeú, uma
fortificação, à qual deram o nome de Schoonenborch, em homenagem ao
seu governador em Pernambuco. O forte tornou-se centro de atividades
miiltares e dos trabalhos de exploração das minas de prata na serra
de Maranguape.
Em 1654, no entanto, os holandeses foram
expulsos do Brasil pelos portugueses e, assim, também entregaram o
forte a eles, mudando o nome, na época em que o português Álvaro de
Azevedo Barreto foi capitão-mor do Ceará, para Fortaleza da Nossa
Senhora da Assunção, dando origem ao futuro nome da capital cearense.
O forte, construído em madeira, se manteve, de reforma, até 1812,
quando outro, de alvenaria, o substituiu. O povoado que começou a
florescer em volta, se desenvolveu gradativamente para a cidade de
Fortaleza. A vila de Fortaleza foi instalada em abril de 1726 e tornou-se
cidade, por ordem régia, em 17 de março de 1823, com o nome de Fortaleza
de Nova Bragança.
Nessa primeira fase da história cearense,
o pouco desenvolvimento regional se manteve na orla marítima, baseado
no plantio da cana-de-açúcar. Porém, informados das excelentes pastagens
e do bom clima dos sertões do Ceará, aventureiros de Pernambuco, Paraíba,
Rio Grande do Norte e Bahia começaram a ocupar os espaços, expulsando
os índios ou, quando possível, domesticando-os para o trabalho, instalando
currais, logo oficializado como sesmarias.
Assim, a partir da última década do século
XVII, durante aproximadamente quarenta anos, acelerou-se a interiorização,
a aprtir duma economia essencialmente pecuarista. Os currais se transformaram
gradativamente em fazendas. O boi virou grande moeda da época, garantindo
a alimentação e subprodutos baseados no seu couro, como roupa, sapato,
chapéu, gibão e perneira. Os rebanhos eram objeto de largo comércio
com Pernambuco, de onde vinham tecidos, louças, ferramentas e outras
utilidaes indispensáveis para a vida nas fazendas.
Mais tarde em vez de transportar o boi pelas
suas próprias pernas, a experiência demonstrou ser mais fácil abatê-lo
no seu lugar de origem, salgar-lhe a carne e transportá-lo para os
centros de consumo, originando, assim, um intensivo comércio com a
zona açucareira de Pernambuco. O boi era transportado para as cidades
portuárias, abatido, salgado e despachado, transformando os portos
de Aracati, Acaraú e Camocim nos principais da região. Este processo
da carne charqueada manteve-se florescente no Ceará, até a grande
seca no final do século XVIII, quando os rebanhos se aniquilaram,
em consequência de três anos de ausência de chuvas.
Assim , o Ceará, voltado para a pecuária
e agricultura de subsistência, sem grandes plantações de açúcar, ouro
e outras riquezas de seu tempo, atravessou obscuramente a época da
colonização, encerrando sua Segunda fase histórica, dependendo sucessivamente
do Maranhão, Pará e Pernambuco.
Somente em 1799, o rei nomeou o primeiro
governador, Bernardo Manuel de Vasconcelos, que instalou a capital
em Aquiraz, transferida em 1810 para Fortaleza.
Outras vilas, no entanto, começaram a se
formar junto às fazendas e encruzilhadas no interior. Uma das regiões
mais prósperas se tornou o Cariri, tendo como centro a vila do Crato,
fundada por uma missão franciscana. Icó prosperou como entreposto
comercial, entre o Cariri e o litoral. Aracati era porto de mar, por
onde se exportava o couro e o charque.
Nesta época também, e na sucessão dos próximos
governadores, iniciou o comércio direto com a Europa, que antes era
canalizado exclusivamente pelo porto de Recife, fato que intensificou
a exportação de produtos locais. O algodão começou a fazer parte da
riqueza geral e, até recentemente, de excelente qualidade, disputava
os mercados europeus, tendo sido o principal produto de exportação
do Ceará. Com o franqueamento dos portos brasileiros em 1808, reforçaram-se
as trocas com o Reino Unido e, a seguir, com os Estados Unidos e Portugal.
Histórias do Ceará
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